Ele*
Ainda a amava. Naqueles dias intermináveis, a vontade era escrever sobre amor. Queria prolongar aquela sensação de outrora recíproca o quão possível fosse. Não podia fazer isso, ela o havia abandonado, ido embora covardemente. Embora alegasse que ele fora avisado (mesmo que em outra língua). Como se estivessem falando de demissão com aviso prévio. De pagar a conta antes da sobremesa. De despedida sem saideira. De deixar a praia antes do sol se por.
Respiraram instintos, viveram entrega, se sentiram únicos, gozaram de uma intimidade digna de muito tempo, tendo acabado de se conhecer. Se amaram no momento em que seus olhos se cruzaram, quando despretensiosamente, ele lhe ofereceu um brinde. À nada, simplesmente aproximou seu drink do dela. Os copos se tocaram e ambos se surpreenderam com o calor que lhes tomou a alma imediatamente. Como se os copos representassem seus corpos.
Sentiram seus cheiros, exalaram desejos e, por susto, ela recuou. Com palavras. Mas, por instinto, puxou seu corpo junto ao dela e se beijaram. Essa história já foi contada. Mas ele a repete, e repete e repete, não acreditando em seu fim. Camuflando sua despedida, buscando qualquer paliativo para alimentar e manter viva sua paixão. Para depositar nela a felicidade, que para ele foi pela primeira vez, "em forma de mulher".
O calor fluminense, os jogos no Maracanã, as beldades bronzeadas cariocas... Ele estava de volta, mas nada mais lhe chamava a atenção. E não sabia se tinha mais raiva dela, pelo que fizera; ou dele, por usar tão bem suas táticas de conquista e dar descarga na já sabida fórmula da não-paixão. Anos e anos de praia, de cidade maravilhosa, de curvas espetaculares, sexos incríveis, performances inatingíveis. E lá estava ele de quatro, como já deixara tantas outras. Por ELA. Que lhe avisara. Que ele, no fundo, não conseguia ter raiva. E que a milhões de quilômetros de distância estava.
A bendita música clássica lhe vinha à cabeça. Os quadros desconhecidos lhe despertavam curiosidade. Era mentira, tudo girava em torno dela e do que pudesse agradá-la. Vagou pela orla sozinho. Passou noites em claro. Semanas sem beber. Amigos ligando, ele nada de atender.
Até que ouviu o som do pandeiro, reparou no choro da cuíca, se emocionou com o som do cavaco. Era carnaval. Fazia calor. Corpos definidos e seminus desfilavam. E ele foi para casa, escrever sobre amor. E virou a noite com as palavras, sentiu cada letra e muito chorou. A alma lavou e, quando o dia ameaçou amanhecer, ainda com lágrimas, colocou sua fantasia. E foi para avenida.
*Por mim, dando (abusadamente) continuidade a um texto que "não pode" ser publicado.
Respiraram instintos, viveram entrega, se sentiram únicos, gozaram de uma intimidade digna de muito tempo, tendo acabado de se conhecer. Se amaram no momento em que seus olhos se cruzaram, quando despretensiosamente, ele lhe ofereceu um brinde. À nada, simplesmente aproximou seu drink do dela. Os copos se tocaram e ambos se surpreenderam com o calor que lhes tomou a alma imediatamente. Como se os copos representassem seus corpos.
Sentiram seus cheiros, exalaram desejos e, por susto, ela recuou. Com palavras. Mas, por instinto, puxou seu corpo junto ao dela e se beijaram. Essa história já foi contada. Mas ele a repete, e repete e repete, não acreditando em seu fim. Camuflando sua despedida, buscando qualquer paliativo para alimentar e manter viva sua paixão. Para depositar nela a felicidade, que para ele foi pela primeira vez, "em forma de mulher".
O calor fluminense, os jogos no Maracanã, as beldades bronzeadas cariocas... Ele estava de volta, mas nada mais lhe chamava a atenção. E não sabia se tinha mais raiva dela, pelo que fizera; ou dele, por usar tão bem suas táticas de conquista e dar descarga na já sabida fórmula da não-paixão. Anos e anos de praia, de cidade maravilhosa, de curvas espetaculares, sexos incríveis, performances inatingíveis. E lá estava ele de quatro, como já deixara tantas outras. Por ELA. Que lhe avisara. Que ele, no fundo, não conseguia ter raiva. E que a milhões de quilômetros de distância estava.
A bendita música clássica lhe vinha à cabeça. Os quadros desconhecidos lhe despertavam curiosidade. Era mentira, tudo girava em torno dela e do que pudesse agradá-la. Vagou pela orla sozinho. Passou noites em claro. Semanas sem beber. Amigos ligando, ele nada de atender.
Até que ouviu o som do pandeiro, reparou no choro da cuíca, se emocionou com o som do cavaco. Era carnaval. Fazia calor. Corpos definidos e seminus desfilavam. E ele foi para casa, escrever sobre amor. E virou a noite com as palavras, sentiu cada letra e muito chorou. A alma lavou e, quando o dia ameaçou amanhecer, ainda com lágrimas, colocou sua fantasia. E foi para avenida.
*Por mim, dando (abusadamente) continuidade a um texto que "não pode" ser publicado.



