quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Emancipação sexual às avessas

Vejo grande parte da população feminina consciente, ganhando seu próprio dinheiro, bancando suas contas e, se for o caso, de seus dependentes; expondo intimistas, mesmo que graciosamente, suas opiniões. Observo-as discursando enfáticas sobre sexo enquanto prazer separadamente de amor, sobre satisfazer seus corpos e realizar seus desejos. Mas, na hora do “vamo ve”, ficam receosas em transar no primeiro encontro, sonham com véus e grinalda, querem a casa cheia de crianças, cachorros e almoços familiares aos domingos.

Querem sim carinho, respeito, flores, ligação no dia seguinte. Outras vezes podem querer simplesmente uma bela trepada, um sexo gostoso. E que mal ha nisso? Nenhum, a não ser o fato (no primeiro caso) do medo de se assumirem assim, como se fosse uma regressão nos largos passos dados por outras gerações para chegarmos ate aqui. Na segunda opção, se negam talvez por receio de serem mal quistas pelo parceiro (depois do sexo), no caso de uma putaria recíproca.

Essa ambigüidade é retratada no livro de Zuenir Ventura, 1968 – O Ano Que Não Terminou, que descreve (entre outros) a trajetória pioneira desta geração que deu um passo à frente do seu tempo e passou a lutar por direitos iguais. Em uma passagem, a vanguardista revolucionária Heloísa Buarque aconselha uma amiga: “a gente tem que fingir que dá para os caras, mas a gente não tem que dar para os caras”.

Quando o assunto é sexo, dúvidas, moralismos e conflitos ainda imperam. Quantos sins e nãos você já disse baseada em alguma teoria ou tática, ou paranóia social? Quantos nãos foram ditos quando, na verdade, a vontade era arrancar a roupa e, literalmente, cair de boca? E por que não simplesmente fazer o que esta com vontade e bancar a vida no século 21?

Porque os valores mudaram nos discursos, nos olhos do mundo, nas opiniões terceiras, nos programas da GNT, mas ainda não mudaram dentro de si próprias. E se a ressaca moral de terem dito sim - quando em suas cabeças - o certo era dizer não, a culpa de por não terem se dado e proporcionado o prazer, por não terem se liberado (e libertado) para fazer o que de fato queriam, incha a cuca e causa tantos conflitos quanto. Portanto, não queira ser bem resolvida para o vizinho da frente, para o colega do lado, para a amiga careta, para essa hipocresia social. Mas para si própria. Liberte-se. Permita-se permitir. Sempre. Você pode.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Chega de saudade

O prazer de aprender a viver sozinha, de realizar meus sonhos, de morar na cidade que escolhi para ser minha, de ver diariamente as mais belas paisagens e trampar a duas quadras da praia, supera qualquer falta de dinheiro, problema profissional ou os 500km que me separam da terra que me criou. O saldo positivo da balança só não me faz superar a falta que sinto dos meus amigos. Tê-los por perto é a completa realização. Mas saber que a visita vai acabar, que o adeus – mesmo que temporário – logo virá, sem data para a volta, me mata. Quando estão longe há tempos, as vantagens de morar aqui até que compensam, mas quando vem e vão levam sempre um pouquinho de mim. Além da falta que suas companhias me fazem, sinto a ausência desta parte que os acompanham, sinto falta de mim mesma, como se eu fosse mais “Gábi” com eles por perto. São dez, quinze anos de vida compartilhada, risadas multiplicadas, dores e amores, momentos divididos. É intimidade, respeito, carinho, admiração. A cerveja desce mais redondo, a vida é mais alegre, o conforto é certo, o apoio irrestrito, os dias mais divertidos. Até responsabilidade, história, trabalho, concreto, os levarem embora.

Cenas do Carnaval Carioca

"Pra tudo se acabar na quarta-feira...""E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar. É preciso cantar e alegrar a cidade"



"De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse. Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia, quem brincava de princesa acostumou na fantasia" div>

"Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre que tô feliz. Nessa eu vou de bar em bar, beber a vida, que eu sempre quis". Tá todo mundo sóbrio!


"Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ai que lindo! Mas Carolina não viu..." rs


"Meu Deus vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar, a evolução da liberdade, até o dia clarear. Ai que vida boa olê olê"
Bolco Carioca de Gema quesito animação: NOTA DEIZ!!!

“Tãnãnãnã nãnãnã nã, Tãnãnãnã nãnãnã nã...” rs



"Brasil, essas nossas verdes matas Cachoeiras e cascatas De colorido sutil ..."

Prazer, Sapucai

A cidade pára, o trânsito muda, as ruas fecham, as pessoas se mobilizam, os bicheiros riem, os gringos deslubram e eu, que me achava experiente em avenida, fiquei atônita ao chegar na Sapucai. Sozinha, naquela imensidão de cores e plumas, fantasias e máscaras, me achei. Entendi o que é carnaval, senti, de verdade, o coração bater mais forte, o amor por esta causa envolver, tomar, dominar, meus pensamentos, meu corpo, todos os meus sentidos. Respirei da paixão que há anos move uma cidade, pára um país. Sem drogas, fiquei extasiada desde a hora que me aproximava da concentração.



Olha o momento mais mágico que existe...



O ápice se dá na disperção. É incrível e indescritível estar na Apoteose, o tempo corre diferente, o som da bateria percorre o corpo, a alegria é dividida, as pessoas trocam sorrisos, as lágrimas se confundem com suor, desconhecidos se abraçam. Nada pode ser mais democrático, em nenhum lugar pessoas e sentimentos têm tanto em comum como ao fim de um desfile na Sapucai. Pena que minha escola, Império Serrano, caiu... Hehehe, a emoção foi forte... E o pé frio também!!!
Valeu Império Serrano!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O triste fim do BLÁ, BLÁ, BLÁ


Depois de muitas broncas de ex-editores; de namorados que mentiam ler as cartas até o fim, mas mal agüentavam chegar ao primeiro verso; de redações que insistiam em passar das “no máximo 25 linhas”; e de, por fim, reler os textos já postados neste blog, sou obrigada a concordar com a geral da nação e assumir: sou prolixa. Mas que característica mais chata essa! Porque é contraditória, na verdade eu a-d-o-r-o ser prolixa e falar em cem frases o que poderia dizer em uma, e repetir essas frases mais cem vezes para ficar bem claro. E dissertar mais um pouquinho sobre o tema. Não chego a escrever uma carta como a que Rachel manda para o Ross, porém, se deixar, eu exagero mesmo. Mas é um saco! Desnecessário e cansativo, quase um sonífero! Assumo, confesso, concordo. Droga! Vamos lá traçar mais uma meta para 2007: ser lacônica! rs

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Sou brasileiro e não desisto nunca!

Consegui novamente ver os olhos azuis mais belos do mundo (apesar das controvérsias!) e me despedir na noite em que ele dizia adeus ao Rio. Chico Buarque de Holanda, Canecão, 11 de fevereiro. Ao fim de um domingo típico, acordar tarde, almoço e clássico na TV (vitória incrível sobre o Corinthians), senti um ânimo que nem mesmo a chuva que insistia em cair era capaz de baixar. Tomei, inutilmente, um banho e fui para o show. Sem bolsa, sem lenço nem guarda-chuva, sem ingresso. Eu e meu documento. Dinheiro, cigarro e esperança do jeitinho brasileiro me ajudar a conseguir uma entrada aos 48m do segundo tempo. A fila estava grande e seu crescimento não cessava.

Foi uma noite da brasilidade deste país tropical. Minutos se passaram, a chuva ao invés de parar, aumentou. Mas estavam todos alheios a ela, alheios às horas, com um objetivo em comum. Eram idosos, jovens, homens e mulheres, de diversas idades... Uniformizado e todo molhado, o segurança se dirigia aos grupos que compunham a fila. “Não há mais chance, os ingressos acabaram, vocês estão perdendo tempo”. Em cada aglomerado de pessoas que o segurança, uniformizado e todo molhado, se dirigia, a reação era a mesma: um sinal positivo com a cabeça dava a entender que o recado fora dado. Mas ninguém arredava o pé. Frustrado, voltava ele ao seu posto.

Especulações eram feitas a toda hora, parecia brincadeira de telefone sem fio. Alguém ia à bilheteria, voltava com uma nova (ou velha) informação e está ia sendo repassada aos demais, até que chegasse ao fim da fila. Mais 30m, 40m, se passaram. Lá vinha o segurança em sua quarta tentativa. “A bilheteria vai fechar, ninguém mais entra, não tem jeito”. O público se mostrava indiferente, tragavam seus cigarros e continuavam suas conversas inertes ao negativismo destes boletins repetitivos. Uma hora em pé na chuva e não vi nenhuma pessoa desistir, dar meia volta e tomar outro rumo. Já desmoralizado, certo que não possui nenhum poder de convencimento ou persuasão, o segurança se mostrava desolado.

Poucas vezes vi um grupo de pessoas tão determinadas. Fiquei na dúvida se era pelo Chico, ou por conseqüência do famoso slogan nacional: Sou brasileiro e não desisto nunca! E provando a veracidade da frase, cada tupiniquim lá ficou, até que bons samaritanos resolveram abrir ingressos extras, e o melhor, a preços populares. Com pouco mais de uma hora em uma divertida fila, algumas cervejas e por 50 reais, entrei no Canecão. Muito melhor que comprar pela Internet, que chegar cedo e garantir a entrada, é SER BRASILEIRO E NÃO DESISTIR NUNCA! Dá mais emoção à vida e deu muito mais graça e valor ao show! Valeu Chico!